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domingo, 2 de novembro de 2014

MEU PAI, MEU TESOURO

(Google Imagens)
Tomo um delicioso café expresso em um shopping de Manaus, quando repentinamente a moça com uniforme preto de uma grife famosa tropeça no pé de Malu e se desmancha em desculpas. Matávamos o tempo, esperando o sol baixar.  A moça de preto fala do descuido e afirma que sempre foi desastrada. Explico que por acontecimentos como esse estamos todos nos conhecendo. Relata que está há pouco na cidade, antes morava com o pai e abre o celular para mostrar sua foto. Ansiosa, esquece onde está o arquivo. Estende a mão. “Muito prazer, meu nome é Daiane”. É uma jovem simpática, morena de cabelos e olhos pretos, olhar sereno e sincero e beleza única. Fala entusiasmada, com orgulho do pai que vive em Curitiba. Percebo que uma história está para surgir
Os pais de Daiane se conheceram em Manaus no ano de 1992. Ele, 22 anos, do Paraná e a mãe, 16, nascida na capital manauara. Viram-se pela primeira vez na farmácia onde o pai era gerente e a mãe fora comprar remédios para o filho doente. O amor a primeira vista os aproximou rapidamente e começaram a namorar. Um encontro que durou pouco, pois o pai foi chamado as pressas a Curitiba onde o avô de Daiane estava enfermo.
Meses se passaram antes dele voltar a Manaus. “Quando retornou, o padrinho de minha mãe o procura para tomar satisfações, acusando-o de não ser homem suficiente para assumir o que fez. E assim, soube da gravidez da minha mãe e meu nascimento.“ O pai, filho de japoneses, gerou a filha tão parecida com ele que, sem dúvidas, registrou a criança como filha. A partir daí fornece mantimentos a Daiane, como forma de ajudar o sustento, fardos de mucilon, leite, água mineral que a mãe dividia com o outro filho.
Quando o pai percebeu que sustentava o irmão de Daiane, alega outros compromissos e reduz a quantidade de mantimentos fornecidos. Assim, a situação apertou para o lado da mãe que, sem alternativa, propôs a ele assumir a menina: “Quando maior, dei razão a meu pai. Acho injusto sustentar meu irmão que não é filho dele”.
Daiane contava dois anos e lembra da sensação de abandono ao trocar de família. “Um dia, ainda pequena e sem entender, acordei nas mãos de duas pessoas. Meu pai, que eu detestava influenciada por minha mãe e uma mulher estranha, que depois soube ser irmã dele, minha tia. ” Quando perguntava pela mãe aos parentes do pai, “não me recordo o que diziam”. A resposta, no porão do inconsciente, espera para aflorar na hora certa.
“Ao passar dos anos, morando com meu pai, passei a odiar minha mãe, que não telefonava”. Se alguém perguntava, dizia que não tinha. “Para mim, era como se tivesse me jogado no lixo”.
Quando chega à adolescência, a jovem passa a ter problemas com a família do pai. “Havia muita rigidez na minha criação. Eu tinha 14 anos e morava com minha batian, é como chamo minha avó em japonês, e pai resolve me levar para morar com ele em Rondônia. Assim conheci minha madrasta e a experiência foi das piores. Ela tinha ciúmes da aproximação de Daiane com o pai. As discussões pioraram. “Morei com eles por quase 4 anos.
“Aos 18, saí de casa para morar com o namorado. Acreditava que assim conquistaria  liberdade e cuidaria de uma casa só minha. Mas não havia amor entre nós. Penso que só eu amava. Não me sentia amada”. Ela ainda não percebera que o amor é um sentimento tão especial, que vale a pena oferecer mesmo que o outro não sinta. Após dois anos de convivência, separaram e, sem espaço para voltar para casa, Daiane volta a morar com a mãe. “Ainda bem que não tive filhos.”
Em Manaus a encontra vivendo com o padrasto há 16 anos. É a terceira mulher do homem que tem cinco filhos de outras relações. “Hoje estou bem, procuro   melhor. Sempre fui independente e é isso que eu quero, conquistas, não quero depender de ninguém.”
Daiane continua a pesquisa do arquivo de fotos no celular. Após longa procura, acredita ter foto na loja onde trabalha. Pega o braço de Malu e o meu e a seguimos. Entramos no sofisticado ambiente da grife. Remexe as gavetas e percebo a frustração da jovem ao não encontrar. Queria materializar a imagem do pai e está desapontada.
Pergunto se gostaria de morar com a mãe ou com o pai. Com sorriso triste e de cabeça baixa, responde quem sabe que a vida nem sempre é como gostaria. “Com o pai. Amo meu pai.”
Em sua sinceridade, acrescenta, “as vezes chego a pensar que não sou amada por ninguém, nem minha família. Pelo menos não demonstram”. Falo que simplesmente ame, sem exigir amor dos outros pois há pessoas que não sabem demonstrar amor.
Três dias depois, em Brasília, recebo dela a foto do pai pelo Whatsapp.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

JOSÉ, O CONSUMIDOR

(Google Imagens)

José entrega documentos o dia inteiro no Setor Comercial Sul de Brasília. Mora no condomínio Sol Nascente para quem não conhece, “pra lá da Ceilândia”. Chega ao Plano Piloto de carona no ônibus do “seu” Miguel, porque pode pular a roleta e economizar passagem. Toma o café da manhã no escritório de contabilidade onde trabalha como contínuo. O almoço compra do vendedor de marmita do bloco comercial, com vale-refeição por R$ 2,50. Feijão, arroz, batata frita e carne assada.
Sai do escritório as sete da noite, após cumprir jornada de oito horas, com quinze minutos para almoço. Influenciado  por amigos, consome drogas e há um mês, no consumo do crack. Parte do ganho com gorjetas das entregas fuma da pedra comprada no próprio Setor e o restante, ao descer do ônibus a noite, na guarita do condomínio.
Em frente ao conjunto de escritórios um Shopping recebe consumidores que trocam salários por roupas caras, satisfazendo filhos exigentes com grifes fabricadas em países asiáticos. José tem muito em comum com a mão de obra barata. O parco ganho que expulsa das compras e empurra à marginalidade.
O pagamento fixo do final do mês, respeita, passa a mulher com quem vive e tem dois filhos e na qual descarrega a ira desenfreada pelo abuso da pedra que o consome. Socorro compra leite, alimentação dos filhos e sacrifica por vezes a si própria. Nos finais de semana, assistem televisão na “casa da frente” saboreando pipoca com refrigerante, patrocinados pelo sogro. O sofrimento da mulher é traduzido por sangramento ginecológico que o médico do posto de saúde desconhece a causa.
Enquanto escrevia, soube que José fora expulso de casa por Socorro cansada dos maus tratos. Ainda tentei apaziguar os ânimos da moça sugerindo, em nome do amor, que esquecesse tudo e perdoasse José, ao que ensinou-me que no amor mais importante era perdoar do que esquecer e cansara de perdoar.
A partir deste dia, as sete da noite, o rapaz de vinte e dois anos pode ser visto entre dois blocos de escritórios no setor Comercial, misturado a dezenas de outros, a ratos e dejetos. Ali, onde o olhar do pedestre se perde, José e amigos se drogam num vai e vem nervoso e arrastado. O acesso é o mesmo usado pelos compradores do shopping e é onde se misturam consumidores para gastar seus salários, uns em quinquilharias de marcas famosas, outros para consumir o crack.
Em diferentes situações correm para amenizar fissuras. Uns nas vitrines e compras, José e amigos no crack.  Todos obcecados por seus produtos.

sábado, 15 de setembro de 2012

PORTO ALEGRE É DEMAIS

(Google Imagens)

Frequentemente viajo a Porto Alegre e por isso identifico dois tipos de habitantes, quando o tema é a violência. Há os que vivem presos dentro de casa, intimidados com notícias geradas pela televisão, jornais e revistas. Deslocam-se ao trabalho e voltam correndo a casa onde se aferrolham por trás de trancas, cercas elétricas e, alguns moradores de condomínio, se entregam a vigilância armada, espreitando pelas frestas o mundo lá fora. Os outros são os que mesmo sabendo de tudo, ignoram, acreditando que nada lhes acontecerá, desde que sigam o exemplo dos escoteiros e fiquem “sempre alerta”. Com certo cuidado, seguem a vida normal. Pertenço ao segundo time. Quando chego à cidade, procuro despir-me dos medos, porque entregar-me é ficar preso dentro de casa, acreditando em uma  realidade assustadora formatada pelos meios de comunicação. Transito pelas ruas, de ônibus como nos velhos tempos que morava na cidade ou de carro, procurando locais para diversão. Durante o dia, a pé, miro a bela paisagem do Guaíba onde nos  tempos de adolescente nadava e pescava lambaris que vó fritava para o almoço.
Hospedo na casa de mãe na zona sul e por lá mesmo percebo a multiplicação dos enclausurados. As cercas elétricas emendam umas as outras e chego a conclusão que vivo em uma situação irreal, baseada nos anos que por lá era tranquilo de viver. Às vezes tenho a sensação que pouco conheço sobre a realidade de Porto Alegre.
Muitos moradores de hoje não conheceram a zona sul quando totalmente aberta aos moradores, e com vizinhos tomando mate e conversando sentados nas calçadas. São pessoas que economizaram muito para aquisição de suas casas e acabaram escravizadas dentro delas. Só saem para outra clausura, a dos shoppings. E assim entram no círculo vicioso de trabalhar para consumir. Neurose que está levando os moradores a desconhecerem quem mora ao lado. Porque lugar para consumir em Porto Alegre é o que mais tem. Sem contar os pequenos, são cerca de dez shoppings entre médio e grande porte.  Conto por baixo, pois alguns nem conheço. Nos bairros, pequenos shoppings com seguranças e estacionamento para o conforto dos frequentadores, mas também ali, impera a sensação da clausura.
Leio um artigo no jornal local que Porto Alegre foi roubada dos Porto-alegrenses. Pura verdade. A capital está reclusa. Além do laser, as compras se restringem aos shoppings. Quem hoje vai ao centro comprar uma camisa, calça, sapatos ou aparelhos eletro/eletrônicos? Nem sei como sobrevivem estas lojas.
Em Brasília, vivo acostumado a frequentar shopping. Desde que decidi morar na capital federal, em 1974, é o único local que a maioria do brasiliense conhece para comprar. Só me dirijo ao comércio de entre quadras para adquirir pregos, parafusos ou achar um sapateiro. De resto, frequento os mega comércios, pois Brasília assim foi construída, para os habitantes não terem o trabalho de caminhar para consumir. Aliás, foi na capital federal que conheci shopping, como também acostumei a locomover apenas de carro tal o descaso com transporte coletivo, pois a capital federal foi propositalmente concebida para o automóvel. O que não entendo é como Porto Alegre, que possui bom sistema de transporte, seja surrupiada dos habitantes pela bandidagem.
Escrevo sobre isto para deixar claro que nego enclausurar em Porto Alegre. Só vou a shopping quando é preciso e para levar mãe para passeio seguro, banheiros limpos, alimentação diversificada, possibilidades de compras sem atropelos e onde inexistem degraus de calçadas para tropeçar.
Ao contrário, prefiro passeios por Ipanema para vigiar o por do sol que continua lindo e exercitar na Avenida Diário de Notícias. À noite, frequento os barzinhos ou vou a algum clube de dança, que por lá existem muitos. Prefiro curtir a sensação de segurança, talvez pelo tempo afastado da capital gaúcha o que provoca falsa imunidade que pretendo cultivar. Afinal, tenho meus direitos de ir e vir na capital gaúcha.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

A BISNETA E A BISAVÓ

A bisneta e a bisavó (arquivo pessoal)

Avó é considerada mãe duas vezes e avô não o é pai duas vezes. Deve ser por conta da gravidez, da amamentação, coisas de competência exclusiva das mulheres que os homens não têm direito de dar pitaco. Na viagem que fiz com a neta Taíssa para Porto Alegre, me senti avô em tempo integral por uma semana. Tanto que decidi narrar as histórias que presenciei e as peripécias desta menina de oito anos. Quem fala que somente as avós babam pelos netos, é porque nunca presenciou avô viajando com eles, principalmente sem avó para palpitar.
Nosso embarque rumo a Porto Alegre, aconteceu com atraso de duas horas. A escolha das poltronas foi estratégica, sendo uma na janela, para que a neta pudesse viajar vendo os flocos de algodão das nuvens e as cidades de Brasília e Porto Alegre, lá de cima.
Um adeus ao pai que a levou ao aeroporto e entramos no avião pela ala das prioridades. Trajava um macacãozinho vermelho, tênis branco e levava na mão a bolsa, um livro infantil sobre histórias de Leonardo da Vinci e uma garrafinha d’água, caso sentisse sede. Muito precavida a menina, deve ter ouvido que os vôos estão carentes de tudo. Pelo menos mataríamos a sede. Quando chegamos às poltronas, a surpresa, uma intrusa ocupara a da janela e ainda pediu para ficar alegando passar mal no trecho Belém/Brasília e que na janela se sentira melhor. “Afinal”, comentou, “logo que o avião sobe só aparecem nuvens e mais nada.” Brinquei que entendia que deveria viajar ali para respirar ar fresco, mas a permissão dependia da dona da poltrona, e apontei Taíssa. Após o apelo, a contragosto a neta cedeu e, mal o avião decolou, a doente virou para o lado e dormiu durante a viagem inteira. “Ela pediu a janela para dormir, vovô”.  Falei a menina que mentira tem perna curta e ela seguiu lendo o livrinho de Leonardo Da Vinci.
Chegamos a capital gaúcha e ao entrar no túnel de desembarque o calor era abrasador e Taissa sacou fora o casaco que vestira em Brasília. Olhava tudo em volta, e quando viu sua maleta na esteira, correu para pegá-la. O carro alugado nos esperava e rumamos para a casa da bisavó, minha mãe, que esperava para almoçar. No caminho apontou espantada, “vovô, o termômetro da rua está marcando 37 graus, nunca vi disto...”, externou assim a admiração com o clima gaúcho. Em Brasília as amiguinhas disseram que no sul faria muito frio.
Levá-la a Porto Alegre era apresentá-la não somente a cidade, mas também a bisavó, sua mãe três vezes segundo a cronologia popular. Taissa perdeu a avó paterna recentemente, o que ocasionou profunda mudança em sua vida e a viagem serviria de lenitivo. Foram dias de descoberta e aprendizado. Fez inúmeras amizades. Brincou de bonecas com a Eduarda do 104, de casinha com as gêmeas Carol e Bia do 203 e assim não pode reclamar de convivência somente com idosos. Quando perguntei o que mais chamou a atenção, “foi que conheci uma feiticeira de verdade, vovô” referindo-se a uma vizinha da bisa que pratica sessões de Umbanda e oferendas a imagens no apartamento 304, permanecendo a maior parte do dia com as janelas fechadas, abrindo-as somente à noite. Durante o dia, esgueira-se pelo corredor, subindo e descendo escada leve como sombra.
A bisa acostumada a viver sozinha aos oitenta e três anos demorou a acostumar com a bisneta, mas logo a menina dócil e gentil conquistou-a e passou a acompanhá-la aos passeios nos shoppings da cidade. Em casa aprendia com a bisa as lides domésticas, como lavar louça, preparar o café da manhã, arrumar as roupas, a cama e tomar banho só. Com certeza “ensinamentos importantes para se tornar de boa convivência e independente”, segundo a bisa.
Nossa rotina eram os passeios pela cidade e assim certo dia fomos a Rua da Praia onde pasmou com o movimento de pedestres. Acostumada com Brasília, andava direcionada pela mão da bisa e por várias vezes foi desviada aos trancos de passantes que a atropelavam cegos a fugir do calor do centro.
No Shopping Iguatemi, Taissa enfiou os patins, recebeu instruções e iniciou a patinação no gelo. E também os tombos. Era ficar de pé e cair. Quinze minutos de quedas de todo tipo. Até que estabilizou e deslizou melhor e quando parecia que estava tudo sobre controle, levou mais uma queda e desistiu. “Vovô, estou satisfeita, cansei de tanto cair”, disse chorando com a mão no bumbum. Foi atendida pelo bombeiro de plantão e saiu encharcada e mancando pelo shopping. Quando noutro dia, passei em uma pista de patinação e perguntei se queria exercitar, respondeu rapidamente, “não, vovô, nunca mais quero patinar”. Parece que deste esporte os pais estão livres.
No passeio por Ipanema, Taissa perguntou se o Guaíba era rio ou lago e quando respondi lago, abriu os olhinhos curiosos, “muito maior que o de Brasília.” E olhando para o infinito e os morros da cidade de Guaíba, “o que tem do outro lado, vovô?”.
Mas tudo que é bom acaba a semana findou e chegou o dia da volta. Após as despedidas chorosas da bisavó passamos na casa das cucas e rumamos ao aeroporto, loucos para sair do forno que estava Porto Alegre.
Na hora da vistoria das bagagens e da passada no detector de metais, o imprevisto. BI-BI-BI. Taissa foi barrada. Também fui, mas foi só retirar o cinto, o relógio e as moedas e passei. A mocinha retirou a pulseirinha, os brincos, os anéis e ..... BI-BI-BI. Retirou o cinto, por causa da fivela, o tênis, meia e........BI-BI-BI. E aí a fiscal empunhou o detector de metais manual, e ameaçou que passaria no corpo dela. Taíssa sentou no chão e disse “Vovô, o que é isto? Ninguém passa este negócio em mim, isto queima, nunca passei por isto.” Confundira o equipamento com o aparato chapinha usado quente para alisar  cabelos. Fiquei ali apalermado, sem saber o que fazer quando a moça impaciente da fila fez a descoberta que salvou a situação. “Tira o prendedor de cabelos”. Foi sacar fora e pronto. Do incidente sobrou a tosse que manifesta quando sofre estresse. E dei razão à neta por não deixar a fiscal passar o detector, afinal quem tolera tudo é porque não se importa com nada e nós adultos estamos acostumados a tolerar demais. A tosse cessou após tomar uns goles d’água e estávamos aptos a embarcar.
Na fila encontra a Luiza, colega de sala. Pronto, festa completa. A menina que vinha de Bagé, trocou de lugar comigo e viajaram juntas, cheias de novidades para contar. De minha parte, sentei com a mãe da Luiza, que segurava seu bebê de 4 meses. Viemos conversando, trocando fraldas e brincando com o menino.
No aeroporto entreguei Taissa ao pai que a afofou nos braços. Recebia de volta a filha mais experiente, conhecedora de coisas que somente as viagens e seus personagens nos ensinam, porque viajar é conhecer. Avô é para isto mesmo, curtir os netos e entregar aos pais para que eduquem. A viagem proporcionou muitas alegrias e isto permanecerá para sempre. Basta lembrar. E eu finalmente consegui me sentir pai duas vezes. Um avô completo.