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quarta-feira, 14 de março de 2012

O CIRCO DA VIDA

(foto arquivo pessoal)


Sábado, dez de Março, alterei a rotina de ir a cinema e fui ao Circo de Soleil. Sem dúvida, o maior espetáculo circense atualmente em apresentação no planeta. De minha parte, desconhecia a atração e, confesso, esperei demais. Como acredito que tudo foi dito e repetido sobre a magnitude das apresentações, esta crônica passa por cima do evento em si e narra um fato paralelo, acontecido fora dos bastidores. Espero que sirva aos amigos e leitores de todas as idades, podendo se enquadrar na pele de um ou de outros personagens, dependendo da disposição.

Comprei os ingressos com uma semana de antecedência, utilizando as benesses da fila dos idosos. Precavido quanto ao esgotamento antecipado das entradas, indicando grande fluxo de assistentes, no dia da apresentação cheguei adiantado cerca de uma hora e meia. Estava de olho no estacionamento público do Parkshopping em Brasília, local mais perto para deixar o carro, com segurança e excelente iluminação.

Após rodar por dez minutos, percebi que liberava uma vaga indicada a usuários acima de sessenta anos e parei, forçando também a parar o fluxo de veículos. No entanto, logo a minha frente, havia um Honda também posicionado, impedindo-me de manobrar e lamentei perder lugar tão confortável.

O carro desocupou a vaga e o outro entrou serelepe. Mas ao prestar atenção percebi, pela fisionomia e agilidade dos ocupantes, tratar-se de jovens estacionando em vaga especial. Perguntei a um vigilante do shopping, se notara alguém acima de sessenta anos no automóvel, mais para interceder por mim, poupando-me desgaste, do que ouvir a resposta. O profissional respondeu que não percebera ninguém, mas adivinhando minhas intenções, acrescentou nada poder fazer e explicou ser o estacionamento público, portanto administrado pelo DETRAN.

Os ocupantes do carro saíram às pressas, ficando apenas o motorista, jovem de uns trinta anos. Resolvi apelar para o bom senso dele e estabelecemos o diálogo abaixo relatado:

- Por favor, percebeu que estacionou numa vaga especial? – Afirmei calmamente.

- Sim, estacionei. - Respondeu o rapaz sem dar inflexão a voz.

- O senhor tem alguém com mais de sessenta anos no carro? – Questionei novamente, me sentindo mais confortável ao ouvir a resposta a primeira indagação.

- Não – falou agora sem paciência por estar sendo questionado diante de tanta gente e da fila de motoristas formada na expectativa de resolver o impasse rapidamente, para seguirem na saga da procura.

- Você tem uma autorização como esta? – Continuei, exibindo o cartão do DETRAN que me autoriza a usar vagas para usuários acima dos sessenta anos.

- Não. – Desta vez respondeu seco.

- Então, faça o favor - disse-lhe sem esperar outra reação a não ser retirar seu veículo, exigindo o cumprimento do escrito na enorme placa em frente a vaga onde estacionara seu automóvel.

Pensou um pouco, esboçou uma resposta ríspida, um movimento mais firme, mas esmoreceu.

- Vou tirar. – Bateu a porta com impaciência e saiu a procura de vaga cada vez mais escassa pela proximidade do espetáculo.

Coloquei o carro no lugar, em frente ao parkshopping, e o rapaz saiu para procurar outra com certeza mais distante. A juventude compensará a diferença de percurso a pé.

O espetáculo circense foi fabuloso, fora as duas vezes que saí para urinar no meio do espetáculo, incomodando a fileira de quem assistia sentado nas cadeiras entre a minha e o corredor de acesso ao banheiro.

Como tudo na vida, passar dos sessenta anos tem vantagens e desvantagens.

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